Como escrever os teus 100 desejos (e porque é que funciona)
Escrever cem desejos parece muito — e é mesmo isso que se pretende. Os primeiros vinte saem do hábito; os verdadeiros só começam a aparecer quando as respostas fáceis se esgotam. Aqui fica como fazê-lo sem o transformares em mais uma tarefa de produtividade.
O que é a prática dos 100 desejos
Sentas-te e escreves cem coisas que queres — grandes e pequenas, sérias e disparatadas, realistas ou não. É este o método todo. Não há ordenação, não há plano, não há “como”. O único objetivo é dar nome àquilo que queres.
Funciona porque o volume vence o editor interior. Podes fingir os primeiros dez desejos com respostas socialmente aprovadas. Mas não consegues fingir cem.
Porquê cem e não dez
Por volta do desejo 30–40, os clichés esgotam-se — aqueles do “crescimento na carreira”, “viajar mais”, “ter saúde” que toda a gente escreve. O que vem depois é mais silencioso e mais específico, e é aí que está o material honesto. Se aos 40 parecer difícil, é a prática a funcionar, não a falhar.
Como começar quando não vem nada
Uma lista em branco costuma querer dizer que estás cansado, não vazio. Faz com que o primeiro desejo seja “dormir até acordar por mim próprio” ou “um dia em que não falo com ninguém”. Depois pede emprestadas algumas perguntas: o que querias aos dez anos? O que invejas em silêncio nos outros? O que está esquecido por comprar no teu carrinho de compras?
A inveja é uma bússola especialmente boa — aponta com precisão para aquilo que queres mas não admites.
O que conta como desejo
Qualquer coisa. “Comprar uma caneca disparatada.” “Deixar de estremecer sempre que chegam emails do trabalho.” “Sentir-me calmo de manhã.” Os desejos podem ser objetos, estados ou sentimentos. Se não te ocorrerem coisas, escreve sentimentos.
Duas armadilhas a evitar: tarefas disfarçadas de desejos (“lavar as janelas” é uma tarefa; “olhar para uma cidade bonita através de vidros limpos” é um desejo), e desejos sobre outras pessoas (“quero que os meus filhos tenham saúde” é a tua ansiedade — reescreve-o como “quero sentir-me calmo em relação às pessoas que amo”).
Não escrevas os 100 de uma só vez
A rapidez não é o objetivo. Escreve até começar a custar, depois fecha a aplicação e volta amanhã. Os desejos vão surgindo em segundo plano entre as sessões. Aqui não há recordes para bater.
Como o Psyquoia ajuda
O Psyquoia é um espaço gratuito e privado feito precisamente para esta prática. A tua lista é encriptada e só tu a vês, as perguntas dão-te um empurrãozinho para além das respostas fáceis, e os teus desejos vão crescendo numa “árvore” visual e serena à medida que avanças. Sem manifestações, sem Universo — só tu e aquilo que realmente queres.
